quinta-feira, 16 de junho de 2011

Alemanha, terra do carnaval!

Parece até ironia. Mas em apenas três meses de Alemanha a palavra "Karneval" foi uma das que mais ouvi por aqui.

Primeiramente em março, na data oficial. Enquanto as estereotipadas mulatas do Rio mostravam seus imensos traseiros na Sapucaí, e os cantores de axé se esgoelavam em cima dos trios elétricos na Bahia, aqui na Alemanha a festa de rei Momo também teve vez. No "carnaval mais famoso da Alemanha" - como se isso me dissesse alguma coisa assim que cheguei - os foliões também desfilavam com suas curiosas fantasias pelas ruas de Colônia. É claro que, sob um clima que só com muita sorte ultrapassa a marca dos 10 graus, não dá para pensar em usar algo muito descoberto, como no Brasil. Mas aqui também tem desfile em carro aberto, música, (muuuuita) bebida e sujeira na rua.

Obviamente não pude escapar das perguntas: "e como é o carnaval no Brasil? Muito diferente daqui?". Sim, claro que é. A começar pelo frio. O desfile também tem outra vibe. As pessoas ficam gritando em baixo e a galera de cima dos carros joga doces, flores e até rodelas de linguiças embaladas no plástico (salve o clichê!).

Mas também tem as semelhanças. Vi vários folhetos nos ônibus e trens incentivando o uso de camisinha. Também se faz muito minino nessa época na Alemanha, quem disse que não?! Quem mora há mais tempo aqui nesta região do estado de Nordrhein-Westfalen, considerada a mais festeira do país, conta ainda que o povo fica mais alegre, mais saidinho. Nos bares, depois dos desfiles, a galera se pega forte. Esquema "beijo-não-me-liga". Uma micarê em pleno solo germânico.

A principal diferença, porém, é que apesar da bebedeira geral, aqui eu não vi confusão.
  
Sim, mas voltando a falar de carnaval. Neste fim de semana passado rolou o Carnaval das Culturas, em Berlim. Pessoas de diversas nacionalidades montam seus blocos para mostrar o que seu país têm de mais animado. Acho que o Brasil participa bem com uns 10 blocos, no mínimo. Um grupo de afoxé (!) abriu o desfile, com uma pseudo-Ivete puxando coro de cima do... digamos, trio. A alemãozada de fora do bloco não se mexia muito, mas fazia cara de quem tava gostando. E assim os grupos vão se sucedendo neste desfile, no bairro de Kreuzberg. Quando a gente ouvia uma barulheira se aproximando, batata!, era algum grupo brasileiro. Como somos barulhentos! Que alegria!

Eu e Jana, minha irmãzinha alemã, nos juntamos a um dos grupos de afrosamba, sambareggae, axéilê (ou qualquer coisa de nome parecido que tenha batuque e gente suada). E literalmente pulamos atrás do bloco. Dezenas de pessoas loiras com câmeras na mão fotografando os músicos e nós, os foliões.

O brazuca mais famoso, no entanto, é o bloco que leva o criativo nome de Sapucaiu no Samba. Além de bateria com surdo, cuíca e tamborim, o grupo tem mulata e fantasia de penas. Eu juuuuuro que vi um protótipo de Ala das Baianas rodando para lá e para cá.

Os termômetros em Berlim bateram na casa dos 25 graus, ou um pouco mais, seguramente.

Eu me senti em casa.

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