Engraçado como a gente consegue enxergar melhor nossas particularidades quando está fora de casa - o nosso Brazilian way of life. As diferentes formas de pensar, de se vestir, de se comportar (de escrever, no meu caso que lido diretamente com textos) entre pessoas de nacionalidades distintas são interessantes e, ao mesmo tempo, assustadoras.
Algumas coisas do cotidiano aqui na Alemanha ainda têm esse efeito sobre mim - ainda incluída na categoria de "recém-chegada". Um exemplo são as meias pretas. Como gostam de meias pretas! Especialmente com tênis. As pessoas vão malhar, jogar bola, correr no parque de meias pretas. Pouquíssimos coleguinhas de academia usam meias brancas, como as minhas.
Reparei nisso no dia em que desci do vestiário - que fica no terceiro andar - para a sala dos aparelhos, no primeiro. Eu, minha calça legging coladésima, minha blusa igualmente justa e, claro, as meias brancas (de cano médio puxadas para cima). Normalíssima em Brasília. Um ET em Bonn. Além da cara de "que roupa é essa, minha filha?!", os olhares de todos pousavam, em algum momento, sobre as minhas meias. Eu me senti quase como aqueles turistas norte-americanos que usam meia branca até o joelho, calça caqui, colete e câmera fotográfica no pescoço. Fiquei com vontade de rir de mim mesma, imaginando que aquele povo usando meia preta e fazendo uns exercícios de alongamento mega bizarros para os meus olhos tupiniquins (eles se alongam de maneira diferente também) estavam achando graça do meu jeito "normal" de me vestir.
Dormir aqui também se tornou um problema. Além do azar de já estar na segunda casa e sofrer com o segundo colchão horroroso, ainda não me adaptei ao travesseiro à moda germânica. Ele é um quadradão, 80 X 80 cm, que afunda e fica fino quando você coloca a cabeça. Horrível. Jana, minha amiga-irmã alemã, ficava indignada quando eu perguntava como é que ela conseguia dormir com aquilo. "Como você consegue dormir com esse tijolo!!", ela devolvia. Procurei outros tipos de travesseiros nas lojas. Eles têm vários outros, mas nenhum igual a esses que estamos acostumados. Meu jeitinho está sendo dobrar o bendito ao meio.
E assim a gente vai se adaptando...
Pior que meia preta, é meia preta E sandália. A cena que presenciei aqui em Ulm, na beira do Rio Danúbio foi a seguinte: uma senhora de seus 40 - 45 anos, com um vestido daqueles soltinhos, preto e com flores (relativamente chique pros padrões calça cáqui e camiseta pra dentro da calça alemão), sandálias de tira com seus 5 cm de salto e MEIA SOQUETE PRETA PUXADA ATÉ A CANELA. A cena era hedionda! Todo mundo sabe que a meia faz o pé escorregar na sandália de salto, então, não satisfeita de me assustar com a meia preta pela canela, ela andava com metade do pé pra fora da sandália. Fantástico. Das alles ist Deutschland.
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